Ir para o menu | Ir para a área restrita | Ir para o conteúdo |

Gob Ceará

Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união.



06/06/2007

A Maçonaria

A História da Maçonaria Brasileira principia com a presença, nas Lojas lusitanas de fins do século XVIII, de obreiros nascidos no Brasil. Quanto aos envolvidos na Inconfidência Mineira, é certa a afiliação maçônica de José Joaquim da Maia, José Álvares Maciel e Tomás Antônio Gonzaga, mas a do Tiradentes parece ser puramente lendária, já que não existem documentos atestando sua qualidade de maçom. Muitos estudiosos afirmam que a Maçonaria Brasileira nasceu em 1796, com a fundação, pelo botânico pernambucano Manuel de Arruda Câmara que estudara em Montpellier, do Areópago de Itambé, agremiação de cunho político e literário de natureza paramaçônica, na localidade de Itambé, na fronteira de Pernambuco com a Paraíba. Entretanto, não existe documentação a respaldar tal tradição.

Igualmente desprovida de comprovação documental é a tradição, aceita por certos historiadores maçônicos, de que a primeira Loja brasileira teria sido a Cavaleiros da Luz, tida por fundada na Bahia em 1797. Por outro lado, não existem dúvidas a respeito da fundação da Loja União em Niterói, no ano de 1800. Várias Lojas surgiram depois na Bahia e no Rio de Janeiro, antes de uma primeira repressão desencadeada pelo Conde dos Arcos em 1806. Com a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1808, instaurou-se um clima de maior tolerância que permitiu a multiplicação das Lojas no Rio e em Pernambuco.

Intensa foi a participação maçônica na Revolução Pernambucana de 1817, cujos principais líderes como Domingos José Martins e Frei Joaquim do Amor Divino Caneca pertenceram à Ordem. Maçom foi também Hipólito José da Costa, cujo Correio Brasiliense publicado em Londres desde 1808 marca o início da imprensa brasileira. Em 1818, violenta repressão sufocou a Maçonaria Brasileira, que só voltou a ressurgir com o regresso do rei D. João VI a Portugal em 1820. Duas facções maçônicas, uma monarquista, liderada por José Bonifácio de Andrada e Silva, e outra republicana, capitaneada por Joaquim Gonçalves Ledo, agiram junto ao Príncipe D. Pedro, atraindo-o para a Ordem, e fazendo-o proclamar a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822, pouco antes de elege-lo Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, fundado a 17 de junho de 1822. Entretanto, as veleidades absolutistas de D. Pedro, agora Imperador de uma nação independente, levaram-no a fechar o Grande Oriente e a suspender as atividades maçônicas no país em 21 de outubro do mesmo ano. Em 1828 teve lugar uma primeira tentativa de retomada dos trabalhos maçônicos, mas só em 1831, depois da Abdicação do Imperador, o Grande Oriente foi reaberto. Desde então, até as primeiras décadas do presente século, a História da Maçonaria no Brasil praticamente se confunde com a trajetória da oligarquia rural que dominava o cenário político da nação, já que era nela que a Ordem recrutava a maioria de seus quadros.

Maçons foram ilustres líderes políticos do Brasil Monárquico como Francisco Ge Acayaba Montezuma, Antônio Francisco de Paula de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, Antônio Hermeto Carneiro Leão e Saldanha Marinho. Maçom foi o mais ilustre militar brasileiro, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Muitos maçons militaram no Movimento Abolicionista, como Luís Gama, José do Patrocínio, Antônio Bento de Souza e Castro, Ruy Barbosa, Joaquim Nabuco e o poeta Castro Alves. O Movimento Republicano também contou com uma considerável participação de maçons como Quintino Bocaiúva, Silva Jardim, Francisco Glicério, Américo de Campos, Pedro de Toledo e Aristides Lobo.

De inspiração maçônica foi a primeira Constituição republicana brasileira, promulgada em 1891, que, entre outras medidas, estabeleceu a separação entre Estado e Igreja, laicizou os cemitérios e instituiu o casamento civil. Maçons foram vários dos primeiros Presidentes da República, como o Marechal Deodoro da Fonseca, Campos Salles, Prudente de Moraes e Delfim Moreira. Na segunda década do século XX, registraram-se as primeiras fissuras a abalar o modelo econômico brasileiro, fundamentado no latifúndio especializado na agricultura de exportação. A crise econômica, a crescente urbanização, as primeiras tentativas de industrialização e o tímido despontar de uma classe operária são alguns dos fatores que explicam o profundo anseio por mudanças radicais que está na raiz da Revolução de 1930, o primeiro movimento realmente modernizador de nossa História. Na mesma época, desejos de renovação e mudanças mobilizaram também o povo maçônico, levando à eclosão do movimento encabeçado pelo Irmão Mário Behring que resultou na fundação das Grandes Lojas Estaduais em 1927, três anos antes do fim da chamada República Velha. A Maçonaria Brasileira iniciava então uma nova fase de sua História, em que pouco a pouco deixava de representar um movimento das velhas elites oligárquicas para começar a se redefinir como uma instituição ligada às classes médias em ascensão.

Pela Pesquisa: Vilemar F. Costa


Grande Oriente Estadual do Ceará - GOECE - Federado ao Grande Oriente do Brasil
Rua Senador Pompeu, 578 - 1º andar - Centro - Fortaleza/CE - Telefone (85) 3271-3086